Bunyan Velo

As publicações físicas como as conhecemos dão sinais de dificuldade em encontrar modelos viáveis de reprodução e difusão de conteúdos. E as edições da especialidade, neste caso as bicicletas, parecem-me que também não vivem dias de oiro. Ainda assim, vamos sendo brindados com brilhantes exemplos de esforço e rebeldia.

revista

Este novo paradigma, ou talvez a democratização dos instrumentos técnicos, possibilitou a criação de novas publicações dedicadas em formato digital (como esta ou esta).

Esta semana encontrei esta nova revista, que acabou de publicar a sua primeira edição. Ainda não tive oportunidade de a ler, mas a descrição própria agrada-me:

“We believe bicycle travel is the ultimate way to experience a place and its people.”

O layout e a direcção artística está muito bem conseguida. Só espero que o sumo corresponda.

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Retratos ciclísticos

Conceitos simples proporcionam quase sempre resultados brilhantes.

“as you’ll see we are not photographing people who ride purely for exercise or recreation, but instead we are focusing on those who use bicycles as an integral tool in their day-to-day existence. we’ve noticed that in south africa, especially in the major centers, very few people use bicycles as mode of transport. this is very strange since we have no proper public transport infrastructure, and that which does exist is expensive and unsafe. given all the benefits of cycling – independence, health, fitness, cost-effectiveness, environmentally friendly – we would love to encourage the use of bicycles in south africa amongst all social classes.”

Este projecto desenvolvido pelo Stan Engelbrecht e pelo Nic Grobler, demorou alguns anos a ser concluído, e pelo meio precisaram de recorrer a um fundo proporcionado pelo sítio kickstarter. No decurso, foram publicando alguns vídeos produzidos por eles, e algumas fotografias que deixavam perceber o que dali se podia esperar, ao mesmo tempo que registavam num mapa a origem destas histórias.

“Stan Engelbrecht & Nic Grobler are publishing the best 165 portraits and stories of the over 500 portraits of cyclists they’ve photographed during their 2 year journey around South Africa. Divided over 3 books, each will contain a different 55 stories, and also two essays each by local South African and major international cycling figures. The books are designed by Gabrielle Guy and they have also collaborated with celebrated South African artist Gabrielle Raaff to create an individual hand-painted watercolor map, based on Google Maps, to indicate the location of each of the portraits.”

O livro teve como objectivo maior um mecanismo de sensibilização da presença da bicicleta na vida de muitos habitantes da África do Sul, fenómeno que é transversal aos espaços urbanos ou rurais. A quase absoluta ausência de estruturas capazes (onde é que já ouvi isto) fez com que esta equipa de doidos construísse de raiz um levantamento pragmático da necessidade de muitas pessoas.

O resultado saiu na forma de um livro brutal, que na verdade são três, e que conta a história de 162 das 500 pessoas que registaram numa viagem de dois anos pelo país, de bicicleta claro.

“Given all the benefits of cycling – independence, health, fitness, cost-effectiveness, environmentally friendly – we would love to encourage the use of bicycles in South Africa amongst all social classes. We’ve noticed that as our major centers develop there still seems to be a trend to make cities more friendly for cars, not people. While this might be happening in many places around the world the effect on individuals seems to be very dramatic in a country like South Africa, where there is a growing divide between those who can afford motorized transport and those who struggle to. Owning a bicycle in this social climate can be very empowering, if the correct infrastructure exists.”

Podem sempre visitar o sítio dedicado, ou página do facebook que está carregada de registos fotográficos detalhados e fantásticos. No sítio oficial podem adquirir o livro.

As fotografias foram roubadas do sítio oficial e da página do FB.