Sobre a interdição à circulação em Lisboa

Raramente vou a Lisboa, e conheço mesmo muito mal a cidade. No entanto, emito os meus dois cêntimos.

O fardo de sustentar os equipamentos, infraestruturas e externalidades negativas (existem positivas?) que suportam o carro na cidade, tornou-se demasiado pesado para quase todos os municípios. Muitas cidades estão a executar pequenas medidas: o Porto mudou as tarifas, Aveiro colocou mais parquímetros, por exemplo.

Lisboa interditou a circulação de automóveis com idade superior a um número. Nem sei qual é. Na discussão política que se reagiu, o argumento a favor invariavelmente enaltece a coragem do autarca que é capaz de tirar um dos cancros da cidade. O carro.

Não entro pelo facto de ser uma medida selectiva. Elitista mesmo.

Aponto sobretudo o absurdo do critério. Desde quando é que a idade do veículo é o critério determinante para o controlo da utilização de carros potencialmente nocivos ao ambiente da cidade. Se o objectivo era fazer uma descriminação positiva, capaz de efectivamente aliviar o peso do carro na cidade, acredito que as emissões poluentes seriam um determinante mais razoável.

O problema é que isso condicionava o trânsito do veículo daquele governante, e dos seus próximos. O que ironicamente deita por terra o argumento da coragem.

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Record: este post foi escrito em menos de três minutos. 2015 entra pé a fundo.

Assalto ao Caramulo

O encontro anual que já começa a ganhar contornos de tradição, começa neste momento a ser preparado.

O grupo no Caramulinho com a malvada composta. Foto do Joel Vieira.

Sempre no primeiro dia do último mês do ano, conjuntos de ciclistas com pouco juízo partem de vários pontos da região, e combinam encontrar-se no topo da Serra da Caramulo para o festejo do que é a cultura ciclista no seu melhor.

A primeira edição do evento que está imortalizada nesta publicação do blog dos Cagaréus  foi em 2008, e eu não tive oportunidade de participar. Não é que nessa altura já não fosse estúpido, simplesmente pensei o evento de outra forma, a que me convinha. O plano foi preparado nas redes sociais, e eu não tinha como me juntar à malta. Então, muito prontamente como sempre, combinei com o meu primo, a quem também não abona a inteligência, sair da Palhaça em direcção a Águeda, e subir o alcatrão todo pela nacional até ao momento em que havíamos de encontrar a malta.

Acontece que nesse dia caiu o céu em cima de Portugal, e se lá em cima a malta apanhou boa neve, ao sair da Palhaça por volta das sete da manhã, fomos brindados com uma enchurrada de água tão gelada e tão violenta que gelámos literalmente. Nunca havia experimentado tal condição, e nunca mais me senti tão frio como naquele momento, ao ponto de não conseguir mexer as mãos. Nem nos muitos anos em que fiz Vela, e não parava no Inverno. Com menos de cinco quilómetros, decidimos muito sensatamente e após alguma hesitação retornar a casa, e tomar um bom banho.

Não chorei, mas pouco faltou.

Depois disso, participei quase sempre no passeio, e a edição de 2011 foi absolutamente abençoada. Não sei se este ano vamos ter a mesma sorte, mas a postura estóica essa, vai lá estar.