Notas redundantes LIII

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O código da estrada existe para regular e limitar a liberdade da circulação motora nas estradas públicas, porque esta é potencialmente perigosa.

Se não existissem carros, o conjunto de normas a aplicar a peões, seria quase todo suportado no bom senso, porque caminhar não é potencialmente lesivo, nem limitador de liberdade terceira. O mesmo acontece com a bicicleta, porque esta não é potencialmente lesiva para ninguém, a não ser o próprio utilizador. Foi a partir deste conjunto de premissas que hoje me vi confrontando com um dilema moral digno de surgir num teste de filosofia do ensino secundário.

Saí de casa, e estava a cair uma tromba de água fortíssima, o que é chato mas não me transtorna. Acontece que tenho por hábito parar nos semáforos, e esperar até receber a indicação verde. Mas hoje a minha postura foi confrontada com o insólito de estar parado quase um minuto, em cima da bicicleta, com o computador às costas, e a água a fustigar-me violentamente.

Obviamente permaneci estóico até permissão electrónica. Mas fodasse. Porque raio é que eu tenho que estar sujeito a regras absurdas de uma população (condutores) que a mim não me diz respeito, e me condicionam e expõem a condições que me lesam?

É que sim. A liberdade de alguém conduzir, provoca dano no ciclista e no peão, como por exemplo a poluição sonora ou do ar. Neste caso ainda tinha a agravante de estar parado e exposto às condições porque existe um poste que manda parar os carros e o ciclista deve respeitar.

Obviamente isto são considerações de cabeceira, e produto de rebeldezinho. Mas importam ser colocadas, quanto mais não seja para o próprio conseguir colocar em perspectiva o absurdo a que é sujeito a todo o momento.