Bikes e filmes IV – Quicksilver

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Não sou especialista em dissertações sobre a oitava década do século passado, nem consigo enunciar quantidades sucessivas de virtuosas memórias, insistentemente  revisitadas por dj’s xungas (há outro tipo de dj’s?) e editores de vídeo com demasiada influência, que se esforçam por dar motivo à sua vida em plena crise existencial de meia idade, acompanhada pela falta de cabela e farta barriga.

Nada tenho contra essa década. Bem pelo contrário.

E o filme desta publicação é Quicksilver. Um esforço gritante, num momento em que profissões ignoradas até então se esforçavam por ver filmada a sua actividade enquanto um herói, bem parecido, se envolvia com a rapariga mais jeitosa da região e um grupo de mafiosos – de preferência italianos ou espanhóis – se intrometia nos seus planos de vida feliz para sempre. Pelo meio, o primeiro haveria de repor a justiça, enquanto um murro no estômago em forma de ensinamento moral era acompanhado por uma música de fundo saia de uns sintetizadores.

Esforcei-me bastante para condensar os lugares comuns de que me lembrei, e a verdade é que este filme percorre quase todos eles. O nosso Kevin, começa o filme como o homem de sucesso quando vê a sua virilidade ser desafiada por um mensageiro. O que é que ele faz? Muda toda a sua vida. O resto são frames pastelosos repletos de acrobacias em bicicletas.

Até podia ser pior, mas tem bicicletas pelo meio, e o Tom Cruise não aparece por aqui a fazer malabarismos com recipientes de bebidas.

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Tomei a liberdade de carregar no youtube a cena inicial. O exacto momento em que devemos parar de ver o filme.

Realização e argumento: Thomas Michael Donnelly

Bikes e filmes III – Pee-wee’s Big Adventure

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O Tim Burton, é hoje um realizador perfeitamente enquadrado com a indústria de cinema. No entanto, foi a partir de películas profundamente avessas ao registo e recheadas de referências quase centenárias – veja-se o caso do primeiro filme de ficção científica que o mesmo não cansa em citar – que este se destacou.

A primeira longa película que realizou foi este Pee-wee’s Big Adventure, depois de ter editado algumas curtas, dentro os quais o recente remake Frankweenie.

O primeiro que vos falo, é na minha opinião o derradeiro filme de bicicletas. O amor, a dedicação, e a projecção de todo o universo a partir da bicicleta, é captado pelo realizador, a partir das dissidências que Pee-Wee enfrenta.

O vídeo que publico é um excerto maravilhoso de um desespero que a todos nós ciclistas diz respeito.

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Realização: Tim Burton
Argumento: Phil Hartman

Bikes e filmes II -Le gamin au vélo 2011

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Não sou crítico de cinema, e tenho ainda mais dificuldade para escrever sobre ele, do que para escrever sobre bicicletas. Pelo que dificilmente me arriscarei em grandes palavras nesta rubrica.

Este filme é facilmente um dos melhores filmes que vi no ano passado. Sou um grande admirador da dupla realizadora, e a dupla de actores escolhida é fantástica. O miúdo é uma revelação,e proporcionou uma profundidade rara no cinema de hoje. A Cécile de France (em cima) deixou-me também arrasado. Não é normal, no cinema mainstream que acompanhamos sobretudo, sermos confrontados com histórias tão simples, e  ao mesmo tempo tão realistas e poderosas. E é mesmo desta proximidade que lhe sentimos, que é feito este filme.

Está visto que é simples fazer bom cinema: só precisamos de uma mulher, um miúdo e uma bicicleta. Ou como dizia o Godard, uma mulher e uma arma. Prefiro a primeira.

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Carreguei mais uma vez um vídeo no youtube com um excerto. Tudo para a vossa felicidade.

Realização: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Argumento: os próprios

Bicicletas e filmes I – Submarine 2010

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Oliver Tate é um miúdo de 15 anos encarcerado numa crise existencial, fazendo do seu quarto, as parcas conversas com outras pessoas, e longos diálogos com a sua cabeça a sua rotina. Toda a gente conhece esta história, e é com essa sinceridade e simplicidade que o filme se revela durante o desenrolar das estratégias que o nosso herói constrói.

A bicicleta surge apenas como uma extensão natural de Oliver, que se desloca durante os seus dias (e noites) entre aquela cidade do litoral do Reino Unido.

A fotografia e a banda sonora são excelentes, e as interpretações estão muito acima da média, com destaque especial para o casal, e o pai de Oliver.

Carreguei no youtube uma cena deste filme. Um excerto inicial de uma primeira conquista de Oliver, e que me dá muita vontade de vender a minha suspensão e comprar uma Super 8 no ebay. Deve chegar.

Créditos: http://www.behance.net/gallery/SUBMARINE-(Movie-poster)/4907421
Créditos: http://www.behance.net/gallery/SUBMARINE-(Movie-poster)/4907421

Realização: Richard Ayoade
Argumento: Joe Dunthorne (original) e Richard Ayoade (adaptação)

Nota: é a primeira vez que escrevo sobre um filme, e é domingo de manhã. Cuidem a minha falta de habilidade.