10 dicas fundamentais para começar a utilizar a bicicleta como meio de transporte

Fruto da minha participação no grupo Ciclaveiro tenho vindo a estudar seriamente alguns casos de estudo sobre a utilização da bicicleta como meio de transporte (bike-commuting) e algumas das dicas fundamentais para a mudança não ser tão violenta.

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O resultado é um roteiro com 10 dicas detalhadas para a primeira semana de utilização da bicicleta.

Dia 1
– Vá para o trabalho de bicicleta
– Venha do trabalho de bicicleta

Dia 2
– Vá para o trabalho de bicicleta
– Venha do trabalho de bicicleta

Dia 3
– Vá para o trabalho de bicicleta
– Venha do trabalho de bicicleta

Dia 4
– Vá para o trabalho de bicicleta
– Venha do trabalho de bicicleta

Dia 5
– Vá para o trabalho de bicicleta
– Venha do trabalho de bicicleta

Com os melhores cumprimentos
O Ciclista Incrível

Sentido proibido no Bairro do Alboi, Aveiro

O Bairro do Alboi em Aveiro é um dos principais corredores pendulares de Aveiro. Uma parte expressiva da população que se desloque para a Universidade do bairro da Vera Cruz ou Estação, pelo menos, muito possivelmente vai passar pelo Bairro do Alboi.

Mais engraçado é o próprio Google Maps o sugerir.

A alternativa seria penosa para quem se desloca a pé ou de bicicleta, e implicava subir a Rua Direita ou a Rua de Batalhão de Caçadores (aka rua do Fórum à Sé), e descer pela Avenida de Santa Joana. Isso pura e simplesmente não acontece.

Alboi

Este pequeno troço acima em pleno Bairro do Alboi foi refeito, e bem na minha opinião, há pouco tempo. Cerca de um ano, creio. O problema é que esta via é de sentido único para trânsito automóvel, o que faz com que quem utilize este pequeno troço de bicicleta, faça uns minutos em contra-mão.

Ora, não há ninguém que se coíba de ali passar por causa da contra-ordenação. Eu faço-o diariamente, mais que uma vez, e dezenas de ciclistas também o fazem. Estamos perante um exemplo clássico de um projecto mal desenhado. Segundo alguns entendidos, se o peão ou ciclista viola a norma, é porque esta está mal feita (tradução ranhosa).

Conclusão: não se trata aqui de alterar um espaço profundamente para que um corredor pendular pedestre e ciclista seja criado. Ele já existe e é muito pertinente porque o trânsito automóvel ali é reduzido e controlado. Trata-se isso sim de facilitar a permitir o tráfego que é natural naquele espaço.

Ou então estamos perante uma situação absurda onde crianças com menos de cinco anos são promovidas a criminosas, tipo diariamente.

Tipo.

As melhores infraestruturas de cidades

O The Guardian publicou um artigo que tem vindo a ser largamente partilhado no mundo, com as melhores infraestruturas nas cidades para bicicleta em todo o mundo.

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Clique na imagem para consultar o artigo original.

O artigo é o resultado de um call que o jornal fez aos leitores para estes enviarem as suas ciclovias preferidas. O resultado acredito, deve ter sido extenso e um jornal fez uma opção editorial.

Apesar de as ciclovias apresentadas serem verdadeiramente impressionantes, há uma coisa que faz comichão. Não há praticamente bicicletas na maioria das fotografias.

Parece que a postura de alguns media e líderes de opinião que frequentemente denunciamos, é também promovida pelos próprios ciclistas. Num momento em que a difusão da imagem é tão agressiva, e o cuidado com a mensagem tão importante (veja-se o artigo da MUBI), os próprios visados fazem questão de difundir a mensagem de forma errada.

Também se pode dar o caso de as ciclovias fotografadas não serem utilizadas, mas não é de todo o caso, como por exemplo o cruzamento de Vancouver.

Btw. um livro que parece interessante sobre o tema em questão: Velo City de Galvin Blyth.

Posta de bacalhau, mas sem erros #2

As reacções ao lançamento do projecto BikeLau são mais um episódio de exposição-mediática-falta-de-informação que se tem registado nos últimos anos.

Os determinantes são muitos simples:

– lança-se um projecto com pouca informação disponível

– esse projecto provoca mixed-feelings, e há azias por curar

– a malta procura de tudo para cair em cima

– a malta cai efectivamente em cima, e com estrondo

Este tipo de fenómeno é potenciado ao extremo pelas redes sociais, sobretudo o Facebook em Portugal. As reacções das entidades envolvidas costumam ser duas:

– acalmar os ânimos e publicar o máximo informação possível, e esclarecer todas as dúvidas

– fazer de vítima, lançar mais buzz, não responder a nada e esfumar-se

Obviamente a primeira costuma ser a que tem melhores resultados, mas compreendo porque por vezes alguns promotores reagem da segunda forma. Não é fácil dar a cara um projecto que dá imenso trabalho, e muitas vezes sem se compreender bem o porquê, o público está a fazer de tudo para o destruir. A reacção natural é explodir. Foi o que aconteceu um pouco neste caso, e eu tentei de alguma forma explicar no post anterior.

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Sou totalmente a favor da iniciativa privada. O envolvimento da sociedade civil na promoção da bicicleta não está suficientemente explorada em Portugal, e todos os projectos e buzzwords que correm no país para a promoção da bicicleta não são suficientes. E temos bons exemplos em Portugal, como a Mubi, a FPCUB, e alguns bloggers como o Bicla no Porto, por exemplo.

Na vertente comercial, o panorama é mais centrado na loja de bicicletas, reparações e produtos relacionados. Não existem no país muitas PME’s suportadas na utilização da bicicleta, e as que existem estão concentradas nas duas grandes cidades. Amiúde existem algumas pequenas empresas de aluguer de bicicleta.

Daquilo que consegui compreender o projecto BikeLau é um projecto neste registo, de iniciativa privada. Correndo alguns riscos estratégicos, parece-me uma excelente iniciativa de um conjunto de investidores privados, que pretendem implementar uma rede de bicicletas viradas para o turismo na orla costeira, e não têm receio em afirmar com convicção que o mercado internacional é um objectivo.

O único problema do projecto foi mesmo a má informação. A massa crítica da bicicleta está farta do abuso do chavão bike-share, sobretudo por parte de representantes municipais. Acontece que neste caso, o chavão foi utilizado pelo representante maior da cidade mais próxima de Aveiro, que foi quem mais mal tratou o conceito de Bike-Sharing nos últimos vinte anos. Lançou-se um número absurdo para o ar (€195K), houve promoção institucional e a celeuma estoirou porque toda a gente pensou que era mais um projecto de bike-sharing mal desenhado. O que não é de todo o caso.

Para todos os efeitos os ânimos acalmaram e já foi perceptível que a interpretação inicial não foi a correcta. Espero sinceramente o melhor para este projecto, e se tudo correr bem, para o ano quero tirar uma foto em cima de uma Angel. Era efectivamente fantástico se cada praia tivesse um sistema de bicicletas tipo cruiser para a malta utilizar.

A minha sugestão: coloquem à disposição algumas bicicletas com o suporte para a prancha de surf ou de skate. Algo tipo isto:

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Que depois também dá para fazer isto:

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Posta de bacalhau, mas sem erros #1

Actualização

Ironia das ironias, cometi um erro nesta publicação e no seguimento lógico da mesma. Ao que parece este projecto não teve investimento público, mas a julgar pelo post que em baixo apresento, teve uma espécie de aval municipal, e apoio na sua promoção.

Isto só reforça a principal conclusão: é preciso saber comunicar. E havendo ou não investimento público, a partir do momento que existe uma promoção municipal, é preciso ter em conta o esclarecimento de todo o tipo de informação.

De forma a manter a verdade da exposição, deixo em baixo a publicação original.

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Fazer política neste Século é totalmente diferente de fazer política no Século passado.

Refiro-me ao lançamento da BIkelau, o novo sistema de bike sharing do Município de Ílhavo que estará disponível no próximo ano. A divulgação de alguns dados técnicos do investimento neste sistema, causaram algum desconforto nas redes sociais. O que está na base deste tipo de reacção é a simples falta de informação.

É um primeiro sinal de grande incompreensão do momento em que vivemos, anunciar um sistema de bike-sharing ao lado da cidade de Aveiro, sem pelo menos criar um site com o máximo possível de informação sobre o programa. Obviamente todas as decisões cruciais que foram tomadas, como o modelo, o desenho ou o conceito, vão causar todo o tipo de celeuma e reacção, porque as pessoas têm de basear a sua opinião na única coisa que foi disponibilizada: uns artigos de imprensa sobre uma apresentação onde estiveram presentes meia dúzia de pessoas.

É preciso saber as regras básicas de lançamento de produtos. Muito mais urgente quando está em causa a aquisição (investimento público) a uma empresa privada de bens e/ou serviços nos dias que correm, e apontar como único dado técnico, o investimento total.

Screenshot from 2014-10-21 21:45:11

Este comentário no principal ponto de contacto da massa crítica, também não ajuda nada à festa.

Vou deixar assim que possível mais considerações.

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