Giro 2014 #1

A etapa de hoje foi farta em momentos singulares, e nem todos foram especialmente agradáveis.

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Redes Sociais

Já por aqui escrevi algumas vezes sobre o novo tipo de interacção entre corredores e pública, e alguns novos mecanismos de transmissão das emoções das corridas. O ciclismo que sempre foi o desporto do povo, que foi desenhado para o povo, e que procurou sempre estar perto do povo, está a saber reinventar-se. Veja-se por exemplo o episódio do Marcel Kittel no início deste giro, e o miúdo que todos crucificaram.

Hoje no entanto, o paradigma provou-se diferente. Desde antes da prova que se discutia a realização desta etapa, dadas as condições adversas no topo do Gavia e do Stelvio. A organização que teimou em realizar a etapa como estava desenhada desde o início, encontrou forte oposição junto de toda a comunidade, com especial violência nas redes sociais.

Um exemplo disso foi o Patrick Lefevere (CEO da Omega Pharma Quick Step) que vinha desde o início do dia publicando algumas afirmações contra a realização da etapa.

Aquando da passagem do Stelvio, e no pior momento do dia, onde muitos ciclistas passavam visivelmente mal a subir, começou a surgir nas redes a questão da descida. Até ao momento que a organização do Giro publica um tweet onde anuncia que a descida seria neutralizada.

O reboliço foi tanto, e as condições da transmissão eram tão más, que quando toda a gente se apercebeu, já o pelotão ia a meio da descida, o grupo de candidatos estava todo partido, e um grupo reduzido de Quintana, Rolland e um Ryder deslocado estavam adiantados cerca de um minuto e meio.

Entretanto, e concluída a descida sem qualquer incidente, a organização convenientemente apagou o tweet prévio e publicou que tinha avido um erro na comunicação.

Até ao final, a vantagem não mais foi anulada e a contrainformação gerada serviu para gerar uma discussão acesa (que ainda corre neste momento), de que alguns corredores tinham recebido a informação dos diretores desportivos para aguardarem no topo pela organização, enquanto outros não tinham recebido. Pelo meio, já se dizia que alguns diretores tinham lido no twitter enquanto outros não.

Independentemente da discussão, polémica, e legitimidade das queixas, há conclusões que se podem tirar. O ciclismo como todos os desportos, está a procurar corresponder aos novos modelos de transmissão de informação. E estes  que ainda estão a ser testados, geram informação em várias frentes, o que apesar de ser excelente, torna muito complicada a tarefa para quem tem que gerir toda esta comunicação. Um exemplo muito engraçado foi quando a equipa portuguesa da eurosport tentava perceber o que tinha acontecido na descida, e cada um debitava uma coisa que tinha lido na internet, junto das próprias interpretações.

O ciclismo e o desporto é mesmo isto, a interpretação própria, a leitura que cada um faz daquilo que vê. Apesar de não vir mal ao mundo aqui, o que acontece é que a massa crítica que acompanha este desporto, é acérrima na defesa dos seus ciclistas preferidos. E isso, quer se queira quer não, vai chegar ao ponto em que vai começar a influenciar a corrida no próprio momento em que ela acontece.

Isto, porque tenho a certeza (e sim estou a alimentar a máquina da especulação) que a desorganização do grupo do camisola rosa foi uma espécie de frente dos diretores desportivos à própria organização. Uma vantagem de um minuto e meio é considerável, mas em plano, é recuperável para um grupo tão grande.

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O ciclista incrível preza a palavra alheia

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