O ciclismo e a verborreia

O desporto como o conhecemos pode ser uma actividade apaixonante, e de entrega visceral por um conjunto de indivíduos que só conhecemos da televisão, do jornal, ou do computador. Quase equivalente à minha admiração pela Christina Hendricks. Coisa profunda portanto.

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Nada no nosso comportamento de homo sapiens sapiens (a população em geral) faz sentido quando decorre uma prova de ciclismo como o Tour, a Volta ou a Vuelta. O fim de semana sofre ligeiros constrangimentos durante a tarde, a semana de trabalho é particularmente afectada num preciso momento coincidente com os últimos momentos de cada etapa, e amiúde, os nossos colegas da biblioteca têm que levar com uma expressão de felicidade e entusiasmo.

Isto para dizer que este tipo de provas faz despertar em nós, comportamentos completamente absurdos e espontâneos, de total entrega ao desporto. E são esses mesmos comportamentos que nos distinguem de entusiastas de outros desportos, ou como se convencionou na teoria do marketing: o sentimento de pertença a uma tribo. Ninguém vê um Lampião acérrimo a vibrar com a vitória do Quintana.

Felizmente, no meio de tanta agressão que sofreu, o ciclismo parece gozar dias de empatia com a civilização Terrestre. Nem tanto com a Marciana. Em Portugal, muito por conta do incrível Rui Costa que vem fazendo um trabalho brilhante junto dos seus fãs. A própria imprensa, lá vai dando algum destaque de relevo entre as manchetes irrelevantes de quezílias entre jogadores da bola.

No entanto, depois de uma vitória brilhante do Chris Horner sobre o Súper Nibali, o Súper Valverde, e o Súper Rodriguez, os principais candidatos ao triunfo e glória Universal, a segunda-feira foi agitada por uma notícia absolutamente merdosa, só possível na Espanha ou na França. Nem a vou citar, porque isso seria dar atenção ao que não merece nada.

Este tipo de notícias só existem porque a própria comunidade desportiva lhe dá importância, a consome, a discute, a compra e a reproduz. A imprensa tradicional e os critérios editoriais estão reféns deste registo notíciário, muito por necessidade de financiar a sua própria estrutura. Cabe-nos a nós, fazermos a nossa opção, e mostrar desagrado não consumindo a mesma.

O que não se espera, é que um sítio online, dedicado exclusivamente ao mundo do ciclismo, alimente este tipo de notícias, com um vernáculo e expressão medíocre. Ou seja, de um espaço independente que partilha da mesma admiração que nós por um desporto apaixonante como o ciclismo, espera-se que não promove o que de pior já se viveu no seu meio. Cabe a este tipo de espaços promover a elevação, a independência e a dignificação do valor do desporto. A imagem deste espaço como é óbvio.

No fundo, é uma questão de não estar disposto a cuspir no próprio prato.
Well done big boy.

 

Love

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O ciclista incrível preza a palavra alheia

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