O primeiro dia feio

No último fim de semana aconteceu o último tomo do campeonato Up and Down, e a convite da equipa da minha terra, Os Salvadores, participei com elevado entusiasmo e expectativa.

Créditos: Mulas da Cooperativa

Já por aqueles lados tinha andado há três anos, aquando da minha primeira e única participação naquele campeonato, e tinha adorado. O percurso exigente fisicamente foi sempre acompanhado pela componente técnica que muito me agrada, e fiquei com a impressão que a zona tinha bastante potencial.

No arranque (grande o destaque para a minha pessoa neste vídeo) senti mais uma vez que aquela não era a minha praia. O ambiente competitivo não me assiste, ou pelo menos naquele registo, por isso lá deixei os desenfreados todos galgarem o seu espaço, convicto de que à primeira subida conseguiria tomar o meu espaço natural. O peito esse, não estava muito saudável, e lá me constrangia na respiração reforçando moderação no andamento.

A altimetria já tinha feito perceber que o tipo de subidas que ia encontrar, e felizmente a juntar a esta fui encontrando sempre bastantes desafios técnicos, tanto de zonas técnicas, caminhos e trilhos de pedra ao estilo romano, mas em mau, o que me deixou deleitado. As descidas, pequenas que se sucederam no início eram também muito técnicas, com especial destaque para um trilho pedestre totalmente desgraçado, um misto de degraus, pedra lavada espalhada por todo o lado, e solta. Um deleite para mim e para a minha bicicleta. Fartei-me de passar pessoal, e sentia-me um Brian Lopes da Bairrada, quando sinto passar por mim um senhor numa Specialized Enduro a todo o gás. O orgulho feriu-se-me, e logo a seguir caiu-me a corrente, perdendo todos os lugares que havia conquistado.

O ritmo que impus a seguir até ao final da grande sequência de subidas foi bastante acelerado, enquanto fiz muitos quilómetros com um colega de equipa. A meio do percurso já pagava uma fatura, e sentia grande dificuldade em respirar, e estava a largar muita especturação, até que parei no abastecimento. Fiquei surpreendido, porque estive lá parado uns dois minutos, e senti-me um alien, já que ninguém durante aquele tempo também parou. Impressionante o espírito competitivo daquela malta.

A partir dali tinha uma grande sequência de descidas, um última subida e o final a descer outra vez.

As descidas quase todas elas foram surreais, feitas a um ritmo nada saudável, no limite entre o brilho e o hospital, tal o perigo e a dificuldade das mesmas. A chuva que havia caído, e o musgo da pedra lavada elevavam em grande estilo as dificuldades, e fazia com que a malta das rígidas e do pneu de ir à missa parecesse meninas. O pessoal que tinha passado por mim no abastecimento, era agora ridicularizado pela minha grande dose de insanidade.

Cheguei ao fim com um registo médio, convicto de que tinha deixado no trilho mais do que a saúde e a sensatez sugeriam, mas diverti-me como o caraças. Fazer BTT é porreiro, e eu já não me lembrava muito como era.

Na meta enquanto esperava para lavar a bike, encontrei um colega com quem tinha percorrido alguns quilómetros, e que me contou que tinha caído, numa das últimas descidas, fruto de uma ultrapassagem mal planeada e de um gesto traiçoeiro do sujeito que ultrapassava. Em conversa com ele percebi que também tinha tido grande dificuldade em ultrapassar o mesmo sujeito, já que o mesmo insistia em me fechar todas as linhas. Não faz nenhum sentido, no registo de competição em questão pelo menos, o espírito cego de competição que algum pessoal emana, ao ponto de dificultar no trilho a passagem de um colega mais rápido, quando o que está em causa é um 54º e um 55º lugares por exemplo. Enfim.

Nota de especial de agradecimento para o pessoal da equipa dos Salvadores que me acolheu em grande, e com quem fiz a festa do mês. Um grande dia entre amigos, numa zona com potencial de sonho. Menos bom, a constatação de que os dias da treta estão a chegar, e o Inverno se aproxima a grande cadência. Já se começa a planear a Subida ao Caramulinho do dia 1 de Dezembro.

O maior, à chegada. Créditos: Mulas da Cooperativa

PS: já o sabia, mas confirmei otura vez. Não ando nada, bem sei, mas há mulheres que andam muito de bicicleta. Ficaram duas à minha frente. :)

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O ciclista incrível preza a palavra alheia

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