Subida à Mizarela

Depois da jornada épica que foi a participação na organização do Raid da minha Vila, seria de esperar a total aversão à coisas de duas rodas nos próximos três meses.

Poucas horas depois, já a equipa se organizava para desta vez, se incorrer numa volta bem esticada por estrada. A proposta que começava por partir do Porto e seguir até ao grandioso Monte Farinha, foi facilmente posta de parte pela enésima greve da CP, e o recurso óbvio na cabeça de qualquer Ciclista Incrível foi a subida da Serra da Freita, ao alto do Merujal. O objetivo era simples, partir da Vila da Palhaça bem cedo, subir as Talhadas por Águeda, descer a Pessegueiro do Vouga, subir Sever do Vouga, descer até Vale de Cambra, e daí encaminhar na penosa subida de 16 km (creio eu) até ao planalto mais bonito do Mundo. O regresso seria definido quando lá chegássemos.

As primeiras duas grandes subidas do dia foram feitas com bastante calma, já que o frio matinal ainda não se deixou habituar, e o dia ia ser bem longo. A grande subida do dia também não se previa, pensava eu, de grandes contornos. Seria o registo habitual de relação mais leve possível, e uma cadência certa durante uma longa hora. Cálculos de cabeça claro.

Acontece que isto de utilizar bicicletas de estrada, com relações de passeio para praia tem alguma ciência, e os últimos cinco quilómetros são devastadores. A pendente média é brutal, e só há três curtas folgas com menos de 100 metros, obrigando a um esforço monstruoso aos joelhos, já que a cadência é muito baixa, e pedalar de pé é também um martírio de força e pulsação. No fim ganha só a obstinação de querer subir tudo montado sem nunca desmontar, e é só mesmo essa que permite bolinar pelas rampas infindáveis enquanto o nosso coração se esforça por não saltar da boca, os músculos da lombar nos lembram que não estão habituados a coisas daquelas, e, surpreendentemente, nos vemos obrigados a sentar porque os nossos braços estão esgotados de tanto esforço.

Sempre tive muito respeito por ciclistas de estrada, mas a experiência ganha sempre outra dimensão quando percebemos o tamanho do feito daqueles homens que enfrentam estas coisas diariamente.

 

A volta, foi feita por Oliveira de Azeméis, já que nos permitia seguir calmamente pela Nacional, sem direito a muitas outras subidas penosas. Ou pelo menos era esse o plano. A estrada nem ao fim de semana descansa, e as rasantes dos camiões neste tipo de bicicleta são uma experiência a não repetir de todo.

Sem que interesse muito, a volta quedou-se pelos 160 quilómetros, cerca de 2500m de subida, quase toda concentrada nos primeiros 90, e muita comida ingerida.

Uma pequena nota de incompreensão. O objetivo da volta, era ir comer uma sandes ao café que serve de ponto de paragem para a observação da Frecha da Mizarela. Surpreendentemente, num feriado, o mesmo se encontrava fechado, o que nos obrigou a visitar o restaurante do Parque de Campismo. Há coisas que não fazem definitivamente sentido na minha cabeça.

 

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One thought on “Subida à Mizarela

O ciclista incrível preza a palavra alheia

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