De volta aos empenos, por Aveiro

Tive no passado fim de semana uma merecida folga, e entendi que a ia gastar da melhor maneira possível, a pedalar. Estava consciente da minha forma, e da capacidade das minhas pernas, e já agora do meu corpo, mas ainda assim planeei para o dia um percurso extenso.

Em qualquer outra altura, estes 90 km com 1500 metros de acumulado seriam acessíveis, mas no estado em que me encontro, a conclusão foi mesmo arrancada a ferros. Decidi fazer o percurso da Maratona de Aveiro, o percurso de 2010, com partida do centro da Cidade, o que acresceu mais doze quilómetros ao total.

À saída de Aveiro, os campos regados pelo Vouga

Este percurso não é a coisa mais bem desenhada que já fiz aqui na zona, e poucos foram os quilómetros que ainda não havia conhecido, mas a verdade é que para pedalar sozinho, e em tão fraca condição não me convinha grandes aventuras solitárias.

A saída da Cidade é abordada pelos melhores trilhos que o Vouga nos oferece. Uma dezena de quilómetros de estradões em terra batida que cruzam uma amálgama de terrenos cultivados, pastos de gado e cavalariças, pequenos lagos, quintas e espaços dedicados a essa grande instituição que é o picnik do feriado.

Num dos inúmeros ribeiros a que o rio se estende, encontrei um grupo de pessoal entusiasmado com uma pescaria. Andavam de volta de uns cestos fechados que retiravam da água recheados de lagostins. Nunca tinha observado tamanha pescaria deste requintado bicho, mas a verdade é aquele pessoal ia ver o jogo de Portugal com o acompanhamento das cervejas garantido. Fiquei com inveja.

Uma faina peculiar

A entrada em terreno agreste é feito por Angeja, que até Albegaria à Velha percorre um misto de estradões em pinhal, terrenos agrícolas e alcatrão, com muito pouca piada. A partir daqui, e com pouco mais de 25 km percorridos, entramos na montanha a sério, com pouca altitude, mas com declives que a sétima derivada é ainda positiva. Como não podia deixar de ser, a porta de entrada para a montanha é Valmaior, no seu clássico singletrack que viola a ponte sobre o Rio Caima, desta vez, com uma vestimenta diferente. O fogo que por aqui andou no ano passado causou mesmo moça, e as árvores que apesar de não serem as mais bonitas, desaparecem e deram lugar a caminhos destruídos pelas chuvas, e a novos eucaliptos.

A vista sobre Valmaior. Ou maior Vale?:)

Sem nos apercebermos já estamos a trepar nova montanha, e sem espaço para grandes folgas. Os trilhos por aqui são mesmo cansativos, pois num momento estamos a pedalar em esforço com as mudanças facilitadoras esgotadas, ou estamos a descer trilhos rápidos e técnicos que não nos permitem grande descanso. Desta feita, só quando me apercebi que subia o gavião, iniciado por um outro caminho que desconhecia, é que tive oportunidade para descansar. Quem conhece esta subida, percebe o que digo. Felizmente, no final da mesmo, nos Cinco Caminhos, furei, e dei-me a oportunidade almoçar e descansar um pouco. Decidi por este momento que não ia fazer o último pico do percurso. Tinha cerca de 50 quilómetros nas pernas, algum acumulado, estava longe de casa, e sozinho, o que é sempre chato, pelo que optei por desenhar o meu percurso de volta.

O lustro do rio Bom

Em menos de nada, ouvia o rio que se espalha na Cascata das Minas do Braçal, e gozava de um momento de puro prazer. Não só a descida até ali é rápida e divertida, como aqueles trilhos abusadamente pintados dão nova energia às pernas. Dali, acompanhei o rio Bom pelos trilhos que se esgueiram das montanhas inclinadas até ao momento em que o rio Bom passa a ser o rio Mau, precisamente a altura em que atravesso a antiga Linha do Vouga, no comboio que transportava o pessoal até Viseu.

O rio Mau. Com vestígios de fogo passado

Facilmente encontrei outros ciclistas, apesar de não ter sido um dia muito concorrido por estes. O Filipe Ferreira, do Norte, ajudou-me numa encruzilhada com um grupo de cães com ar não muito ameaçador. Tive a oportunidade de trocar algumas palavras com ele até chegar a Sernada, e prometi-lhe uns tracks de gps. Descobrimos algo em comum: o melhor trilho de sempre era a Calçada de Alpajares. Esta não era difícil.

Os extensos do Vouga

Até Aveiro, o trilho foi da minha escolha. Optei como sempre, por atravessar os 3o quilómetros que o rio Vouga rega, em campos imaculadamente alimentados e cultivados. Como estava destinado empenar-me, em vez de percorrer os últimos quilómetros pacificamente, arrastei-me de encontra ao vento até casa, num esforço bem desesperado por uma piza e uma mini. Valeu pelos trilhos deste local, que continuam a ser o meu local de eleição para dias que não quero muito exigentes, mas divertidos.

 

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O ciclista incrível preza a palavra alheia

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