Uma relação à medida

Conjunto Campagnolo personalizado pela ICS

As relações de transmissão são nas bicicletas um dos componentes mais discutidos entre os ciclistas, o que facilmente se percebe. No fundo, esta mais que outro qualquer componente, desempenha um papel determinante no uso da bicicleta. E cada vez mais, o pessoal que utiliza as bicicletas, seja no btt ou na estrada se preocupa com a transmissão que se adequa da melhor forma ao seu andamento, e ao tipo de terreno e morfologia que visita.

Nesse sentido, aproveitando alguns mercados por explorar, e aproveitando motivos encobertos para inflacionar absurdamente os preços, as marcas dedicadas ao fabrico e desenvolvimento dos componentes para a transmissão, tem alargado o catálogo de produtos. Note-se a recente introdução das 10 velocidades no BTT e o esperado lançamento dos manípulos gripshifts inflacionados em mais de 400% do preço dos irmãos das nove velocidades, com introduções tecnológicas marginais e de pouca influência. Enfim.

The rebelyell book

Paralelamente, surgiu uma corrente numerosa de adeptos da simplicidade de não ter mudanças e um guiador limpo de qualquer adereço que não os travões e os punhos. E como eu os compreendo. Recentemente retirei da minha pedaleira os dois pratos dos extremos, e aprendi a contar só com a cassete. No fundo, é errado pensar que contamos só com a cassete, quando esta nos oferece uma amplitude de força à corrente bastante grande, permitindo andamentos acima dos 35km/h, e abaixo dos 8 km/h. A parti desta alteração temos mesmo a oportunidade de aprender a pedalar de uma forma muito menos preguiçosa e mais atenta. Dos poucos quilómetros que fiz até agora com esta configuração, ainda não precisei da talega, que de resto só a utilizava para poder poupar o prato do meio, nem a avozinha. A avozinha é mesmo o prato que me preocupa, e acredito que venha a precisar dela, mas para já vou desfrutar mais algum tempo desta configuração.

Tudo isto serve para vos deixar uma preciosa ferramenta elaborada por mais um dedicado ciclista, o Mike Sherman. Na net existem alguns artigos de opinião dele, com considerações sobre por exemplo as relações de pista, que como sabem são fixeds. A sua página está recheada de ferramentas e artigos não necessariamente dele, mas extremamente interessantes e pertinentes.

Configuração da nossa transmissão

A ferramenta de configuração da transmissão sugere em primeiro a introdução da configuração da cassete que pretende analisar, com a introdução de cada um dos carretos e o número de dentes. Também existe neste momento a possibilidade de escolher de uma lista, a cassete, mas esta é limitada. Em jeito de apontamento é feita uma ligação ao deus das bicicletas, Sheldon Brown que deixa aqui uma sugestão do tipo de braço a utilizar no desviador traseiro.

De seguida, é possível introduzir a configuração do pedaleiro, com o número de dentes de cada prato, o número de pratos e o comprimento do braço do pedaleiro, ao mesmo tempo que pede o tipo de roda que utilizamos.

Gráfico de amplitude da velocidade

É então gerada a partir daí uma série de relações. Sugiro ignorar mesmo as duas primeiras entradas que não considero muito relevante (é calculada a partir do quociente entre o número de dentes do prato do pedaleiro com o do quociente, vezes 27). A primeira coisa interessante é o gráfico gerado que a partir de um pequeno intervalo de cadência introduzido por nós, indica a velocidade que a bicicleta atinge em teoria. Este gráfico é perfeito para perceber a quantidade de vezes que as relações se repetem, por exemplo, numa pedaleira de 3 pratos. Ok, blá blá blá, a linha de corrente.

Logo a seguir é apresentada a tabela de relações de força inicialmente introduzida por Sheldon Brown e que pode ser percebida nesta página. O rollout table é uma tabela de ajuda a um tipo de restrições usados nas competições de estrada e pista para os corredores menores de idade. Não investiguei muito, porque lá está, não me interessa a competição. Logo a seguir, uma pequena tabela simples com a velocidade instantânea em cada relação de transmissão possível dada uma cadência por nós produzida. Muito engraçado.

Tabelas várias

Espero sinceramente que tenham gostado, e que utilizem esta pequena ferramenta bastante intuitiva. Pensei há algum tempo construir eu próprio esta mesma ferramenta em excel, mas cruzei-me com esta e achei que já era bastante completa. Pode ser de resto, conclusiva para qualquer ciclista que esteja a considerar alterar os pratos da sua pedaleira, ou a escolher a cassete nova. Não deixem ainda assim de consultar os artigos de quem de direito, merece os créditos de um bom aconselhamento, sejam boas revistas, ou boa literatura espalhada pela net, ou mesmo o seu mecânico.

Mike Kuriak, ou Lacemine29

Ressalvo por último o facto de fazerem sempre uma análise bastante crítica daquilo que efectivamente precisam. Pedalar a nossa bicicleta deve ser sempre que possível, um momento de gozo e prazer, e pensar na configuração que a maximiza é um exercício nada descabido e que pode fazer a diferença. Seja no trilho, seja no bolso. A configuração que se adequa aos nossos colegas, não tem necessariamente de se adequar a nós, e o mesmo se passa para a configuração que equipa o catálogo de determinada revista. O marketing das marcas é neste momento bastante agressivo e subverte muitas vezes as reais necessidades do ciclista.

Acima de tudo, pensar na nossa bicicleta é divertido e construtivo.

Jon Nordstrøm
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One thought on “Uma relação à medida

O ciclista incrível preza a palavra alheia

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