10 dicas fundamentais para começar a utilizar a bicicleta como meio de transporte

Fruto da minha participação no grupo Ciclaveiro tenho vindo a estudar seriamente alguns casos de estudo sobre a utilização da bicicleta como meio de transporte (bike-commuting) e algumas das dicas fundamentais para a mudança não ser tão violenta.

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O resultado é um roteiro com 10 dicas detalhadas para a primeira semana de utilização da bicicleta.

Dia 1
– Vá para o trabalho de bicicleta
– Venha do trabalho de bicicleta

Dia 2
– Vá para o trabalho de bicicleta
– Venha do trabalho de bicicleta

Dia 3
– Vá para o trabalho de bicicleta
– Venha do trabalho de bicicleta

Dia 4
– Vá para o trabalho de bicicleta
– Venha do trabalho de bicicleta

Dia 5
– Vá para o trabalho de bicicleta
– Venha do trabalho de bicicleta

Com os melhores cumprimentos
O Ciclista Incrível

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Deslocar o ombro

Finalmente um tema no qual eu sou uma autoridade absoluta. Deslocar um ombro.

2015, Giro d'Italia, tappa 06 Montecatini Terme - Castiglione della Pescaia, Tinkoff - Saxo 2015, Contador Alberto, Castiglione della Pescaia
2015, Giro d’Italia, tappa 06 Montecatini Terme – Castiglione della Pescaia, Tinkoff – Saxo 2015, Contador Alberto, Castiglione della Pescaia

Como a etapa era uma seca hoje a comunidade ciclística viveu um drama com o problema físico do Contador: a sua boca.

A versão que ouvi na televisão (não necessariamente a verdadeira) foi a seguinte: toque entre ciclista e um fotógrafo, desiquilíbrio, quedas, Contador caiu e caiu um ciclista por cima deslocando-lhe o ombro. Recuperado cruzou a meta, e no camião enquanto trocava de roupa deslocou novamente.

Este momento menos feliz do ciclismo é coerente com a minha experiência. Já desloquei o ombro dezenas de vezes. Quando acontece a dor é excruciante, e enquanto o ombro não vai ao sítio prolonga-se. São momentos muito aflitivos que qualquer pessoa com este problema se acustuma a lidar. Normalmente, com um pequeno movimento de correção, o braço vai naturalmente ao sítio provocando uma ponta de dor, que depois relaxa.

No seguimento destes episódios é necessário ter alguma precaução porque o ombro fica ligeiramente relaxado e mais facilmente se desloca novamente. Um dos movimentos clássicos para isto se repetir é exatamente mudar de roupa. Tirar uma camisola ou vestir um casaco é um movimento de torção onde facilmente passa o limite o ombro cede.

Acontece que o ciclismo é uma atividade pouco exigente para os braços e onde os movimentos são bastante controlados. É perfeitamente possível acontecer deslocar o ombro e pedalar no mesmo dia, ainda que um pouco condicionado. Eu já o fiz.

O episódio de hoje foi um exemplo perfeito de como encher chouriças durante horas com um não assunto e fazer de um excelente corredor uma marioneta mediática. Convenhamos que também faz parte da sua postura estes pequenos filmes.

Se o problema foi efetivamente o deslocar o ombro, Contador não teve qualquer problema hoje em lidar com a etapa, e em nada estará condicionado nos próximos dias.

Sobre a interdição à circulação em Lisboa

Raramente vou a Lisboa, e conheço mesmo muito mal a cidade. No entanto, emito os meus dois cêntimos.

O fardo de sustentar os equipamentos, infraestruturas e externalidades negativas (existem positivas?) que suportam o carro na cidade, tornou-se demasiado pesado para quase todos os municípios. Muitas cidades estão a executar pequenas medidas: o Porto mudou as tarifas, Aveiro colocou mais parquímetros, por exemplo.

Lisboa interditou a circulação de automóveis com idade superior a um número. Nem sei qual é. Na discussão política que se reagiu, o argumento a favor invariavelmente enaltece a coragem do autarca que é capaz de tirar um dos cancros da cidade. O carro.

Não entro pelo facto de ser uma medida selectiva. Elitista mesmo.

Aponto sobretudo o absurdo do critério. Desde quando é que a idade do veículo é o critério determinante para o controlo da utilização de carros potencialmente nocivos ao ambiente da cidade. Se o objectivo era fazer uma descriminação positiva, capaz de efectivamente aliviar o peso do carro na cidade, acredito que as emissões poluentes seriam um determinante mais razoável.

O problema é que isso condicionava o trânsito do veículo daquele governante, e dos seus próximos. O que ironicamente deita por terra o argumento da coragem.

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Record: este post foi escrito em menos de três minutos. 2015 entra pé a fundo.

Sentido proibido no Bairro do Alboi, Aveiro

O Bairro do Alboi em Aveiro é um dos principais corredores pendulares de Aveiro. Uma parte expressiva da população que se desloque para a Universidade do bairro da Vera Cruz ou Estação, pelo menos, muito possivelmente vai passar pelo Bairro do Alboi.

Mais engraçado é o próprio Google Maps o sugerir.

A alternativa seria penosa para quem se desloca a pé ou de bicicleta, e implicava subir a Rua Direita ou a Rua de Batalhão de Caçadores (aka rua do Fórum à Sé), e descer pela Avenida de Santa Joana. Isso pura e simplesmente não acontece.

Alboi

Este pequeno troço acima em pleno Bairro do Alboi foi refeito, e bem na minha opinião, há pouco tempo. Cerca de um ano, creio. O problema é que esta via é de sentido único para trânsito automóvel, o que faz com que quem utilize este pequeno troço de bicicleta, faça uns minutos em contra-mão.

Ora, não há ninguém que se coíba de ali passar por causa da contra-ordenação. Eu faço-o diariamente, mais que uma vez, e dezenas de ciclistas também o fazem. Estamos perante um exemplo clássico de um projecto mal desenhado. Segundo alguns entendidos, se o peão ou ciclista viola a norma, é porque esta está mal feita (tradução ranhosa).

Conclusão: não se trata aqui de alterar um espaço profundamente para que um corredor pendular pedestre e ciclista seja criado. Ele já existe e é muito pertinente porque o trânsito automóvel ali é reduzido e controlado. Trata-se isso sim de facilitar a permitir o tráfego que é natural naquele espaço.

Ou então estamos perante uma situação absurda onde crianças com menos de cinco anos são promovidas a criminosas, tipo diariamente.

Tipo.

As melhores infraestruturas de cidades

O The Guardian publicou um artigo que tem vindo a ser largamente partilhado no mundo, com as melhores infraestruturas nas cidades para bicicleta em todo o mundo.

infra
Clique na imagem para consultar o artigo original.

O artigo é o resultado de um call que o jornal fez aos leitores para estes enviarem as suas ciclovias preferidas. O resultado acredito, deve ter sido extenso e um jornal fez uma opção editorial.

Apesar de as ciclovias apresentadas serem verdadeiramente impressionantes, há uma coisa que faz comichão. Não há praticamente bicicletas na maioria das fotografias.

Parece que a postura de alguns media e líderes de opinião que frequentemente denunciamos, é também promovida pelos próprios ciclistas. Num momento em que a difusão da imagem é tão agressiva, e o cuidado com a mensagem tão importante (veja-se o artigo da MUBI), os próprios visados fazem questão de difundir a mensagem de forma errada.

Também se pode dar o caso de as ciclovias fotografadas não serem utilizadas, mas não é de todo o caso, como por exemplo o cruzamento de Vancouver.

Btw. um livro que parece interessante sobre o tema em questão: Velo City de Galvin Blyth.